As enchentes no Rio Grande do Sul mostraram que resgatar animais é apenas o início: é preciso oferecer cuidados, abrigo, identificação e reunificação. A política Amar exige planejamento municipal, enquanto tutores devem preparar identificação, transporte e informações de saúde.
Uma família precisa sair de casa às pressas. Na porta, surgem perguntas que não podem esperar: onde está o gato? Como levar o cachorro? O abrigo aceita animais? Quem vai procurar os que se separaram dos tutores?
Durante as enchentes do Rio Grande do Sul, essas perguntas saíram do plano hipotético. No balanço da Defesa Civil estadual de 19 de maio de 2024, 12.215 animais já tinham sido resgatados. Era o número registrado naquela data, não um total final do desastre. Cada resgate abria uma nova etapa: atendimento, abrigo, identificação e tentativa de reunificação.
Resgatar é o começo
Depois que um animal chega a um local seguro, alguém precisa avaliar sua saúde, oferecer água e alimentação, prevenir fugas, registrar onde foi encontrado e procurar sua família. Um abrigo improvisado também precisa lidar com animais assustados, necessidades diferentes de cães e gatos e risco de doenças. O Conselho Federal de Medicina Veterinária publicou orientações técnicas para essas situações.
Em 2026, o Brasil criou a Política de Acolhimento e Manejo de Animais Resgatados, chamada Amar. A lei determina que municípios incorporem proteção, resgate, acolhimento e manejo animal aos planos de contingência da Defesa Civil. Também prevê capacitação, organização do atendimento e abrigos temporários.
Isso torna visível uma tarefa que por muito tempo ficou concentrada em voluntários, ONGs e protetores. Eles seguem essenciais, mas a resposta precisa de coordenação, estrutura e responsabilidades definidas antes da emergência.
O que cada pessoa pode preparar hoje?
Quem convive com animais pode manter a identificação e o telefone de contato atualizados, separar guia ou caixa de transporte, guardar informações de saúde e saber como acomodá-los com segurança numa saída rápida. Também vale conhecer os alertas e orientações da Defesa Civil local.
E na sua cidade? Procure saber se o plano municipal de contingência contempla animais. É uma pergunta simples que pode mobilizar vizinhos, organizações e gestores — antes que a próxima chuva transforme planejamento em urgência.